sábado, 9 de agosto de 2014
sábado, 20 de novembro de 2010
Conclusão
Dentre os dialetos existentes em nosso país, o que mais sofre preconceito linguistico é o DIALETO MINEIRO, pois não se escuta comentários jocosos nem piadas em relação aos demais. Nunca se ouviu piadas com relação ao "arri égua", na pronuncia do nortista, "voti " falado pelo nordestino, "poirta" dito pelo ´paulista, nem o "tchê" do gaúcho, mas do mineirês sim, sempre se escuta que o mineiro," comprou o trem" e nunca o perde, que "Uai ", é uai sô, que o mineiro não vive sem queijo, que ele gosta tanto de pãodjiqueij, que chega a comer as letras , imaginando nelas o sabor do pão de queijo, e que de tanto comê-las, passa male, male e é levado para o hospitale no carro do coronele do tidiguerra, que fica na Prazda Liberdade.
Se considerarmos tudo que fora exposto nessa obra, desde a influencia linguística do latim, da Espanha, da Inglaterra, da África até chegarmos às herança linguisticas indígenas, percebemos que tudo que o mineiro usa na sua linguagem tem explicação etimológica, como no caso de "home e trem" e que a expressão "uai", está, às vezes empregada, não somente como interjeição, mas como o"porquê, pronunciados pelos ingleses". Que uma das transformações das palavras como é o calo de "male e malu" não os deixa cometer erros na hora de escrever com o significado correto os vocábulos mal e mau.
Com disposto nas páginas do Vocabulário Pury, ressalta-se que, quando surgiram os bandeirantes a procura de minério, os índios que os acompanhavam, eram falantes da língua tupi, porém os que habitavam a região central e sudeste, falavam línguas diferentes que mais tarde fora classificada como pertencentes ao grande tronco Macro-Jê.
Ressalta-se também, que em conformidade com a gramática escrita por Pe.Anchieta, sobre a língua Tupi, que hoje é considerado tupi antigo, não se encontra o uso sistematicamente do apóstrofo , nem tão pouco , palavras escritas utilizando o fonema "DJ", logo, quando o matogrossense, utiliza em sua pronuncia, como ocorre nas palavras "larandja e cadju" pode-se considerar, este fato linguístico como comprovação do que consta no livro de " História Global," que a língua indígena falada não pertencia ao tronco Tupi, pois esta marca linguística é típica do tronco Macro-Jê, não se pode desprezar o fato que as trilhas percorridas pelos bandeirantes, foram caminhos abertos e utilizados pelos índios da região.
O dialeto goiano tem grande semelhança com o mineires, não somente nas falas fronteiriças, mas em todo dialeto falado nos dois estados, isto se deve, a língua falada nos estados centrais desde 1535.
Como está demonstrado nesta obra, vocabulário Pury, (Macro-Jê) há grande incidência do termo "DJ e apóstrofo".
A variação do dialeto Belo Horizontino (belorizontino), se justifica, por ser a capital do estado frequentado por pessoas de todas as regiões do estado e dos turistas de todas as regiões do país.
O mineires nas fronteiras com outros estados sofre as influencias tais como: na divisa Minas-Bahia é a mistura com o baianês cuja herança linguística é o tupi, com influencia, em sua maioria do africano ( região com grande trafico e escravos africanos) e português europeu. A essa missigenação de heranças e influencias transforma o dialeto mineiro em uma forma diferenciadas tendendo para o nordestino. Na divisa com São Paulo o dialeto mineiro sofre outra alteração. É a mistura das heranças do Tupi-Macro-Jê com a influencia do português europeu vulgar mais o africano que gerou o dialeto mineiro tendencioso ao caipira , falado em São Paulo e finalmente no estado do Rio de Janeiro, cujo dialeto já é a mistura das heranças indígenas Tupi com o Pury(Macro-Jê), com influencia do crioulo e Grande influencia do português europeu culto, pois a norma culta era falada em toda corte, influenciando o falar do fluminense - carioca.
As demais fronteiras, pertencem as mesmas heranças linguísticas, ou seja ao mesmo Tronco Macro-Jê, a a variação das influencias do crioulo e português europeu vulgar, tendendo sempre a se misturar ao outro dialeto sem perder a essência do mineirês. Como a diferença regional do falar mineiro é muito forte, mesmo nas mistura com o baiano, paulista e fluminense-carioca ele não perde sua característicF.
Quanto aos Gerúndios, em que a terminação "do" é trocada para "no" não se pode dizer que que tal peculiaridade é do falar mineiro, tendo em vista essa troca ocorrer em todos os estados do nosso país.
O dialeto mineiro, contribui grandemente para com a língua portuguesa, não se trata de uma babel linguística e sim a mescla dialetal e de idiomas que construíram a nossa língua desde o latim até as nossas heranças linguísticas como demonstrado no desenrolar das pesquisas e considerações anteriores.
Diante das justificativas apresentadas, não se deve aceitar qualquer preconceito linguístico ao falar acanhado e simples divergindo não somente os fonemas, mas o sotaque do povo mineiro.
Acredita-se, que esta simplicidade é também herança indígena, que os levam a falar de forma autêntica e na maioria das vezes no diminutivo.
Com disposto nas páginas do Vocabulário Pury, ressalta-se que, quando surgiram os bandeirantes a procura de minério, os índios que os acompanhavam, eram falantes da língua tupi, porém os que habitavam a região central e sudeste, falavam línguas diferentes que mais tarde fora classificada como pertencentes ao grande tronco Macro-Jê.
Ressalta-se também, que em conformidade com a gramática escrita por Pe.Anchieta, sobre a língua Tupi, que hoje é considerado tupi antigo, não se encontra o uso sistematicamente do apóstrofo , nem tão pouco , palavras escritas utilizando o fonema "DJ", logo, quando o matogrossense, utiliza em sua pronuncia, como ocorre nas palavras "larandja e cadju" pode-se considerar, este fato linguístico como comprovação do que consta no livro de " História Global," que a língua indígena falada não pertencia ao tronco Tupi, pois esta marca linguística é típica do tronco Macro-Jê, não se pode desprezar o fato que as trilhas percorridas pelos bandeirantes, foram caminhos abertos e utilizados pelos índios da região.
O dialeto goiano tem grande semelhança com o mineires, não somente nas falas fronteiriças, mas em todo dialeto falado nos dois estados, isto se deve, a língua falada nos estados centrais desde 1535.
Como está demonstrado nesta obra, vocabulário Pury, (Macro-Jê) há grande incidência do termo "DJ e apóstrofo".
A variação do dialeto Belo Horizontino (belorizontino), se justifica, por ser a capital do estado frequentado por pessoas de todas as regiões do estado e dos turistas de todas as regiões do país.
O mineires nas fronteiras com outros estados sofre as influencias tais como: na divisa Minas-Bahia é a mistura com o baianês cuja herança linguística é o tupi, com influencia, em sua maioria do africano ( região com grande trafico e escravos africanos) e português europeu. A essa missigenação de heranças e influencias transforma o dialeto mineiro em uma forma diferenciadas tendendo para o nordestino. Na divisa com São Paulo o dialeto mineiro sofre outra alteração. É a mistura das heranças do Tupi-Macro-Jê com a influencia do português europeu vulgar mais o africano que gerou o dialeto mineiro tendencioso ao caipira , falado em São Paulo e finalmente no estado do Rio de Janeiro, cujo dialeto já é a mistura das heranças indígenas Tupi com o Pury(Macro-Jê), com influencia do crioulo e Grande influencia do português europeu culto, pois a norma culta era falada em toda corte, influenciando o falar do fluminense - carioca.
As demais fronteiras, pertencem as mesmas heranças linguísticas, ou seja ao mesmo Tronco Macro-Jê, a a variação das influencias do crioulo e português europeu vulgar, tendendo sempre a se misturar ao outro dialeto sem perder a essência do mineirês. Como a diferença regional do falar mineiro é muito forte, mesmo nas mistura com o baiano, paulista e fluminense-carioca ele não perde sua característicF.
Quanto aos Gerúndios, em que a terminação "do" é trocada para "no" não se pode dizer que que tal peculiaridade é do falar mineiro, tendo em vista essa troca ocorrer em todos os estados do nosso país.
O dialeto mineiro, contribui grandemente para com a língua portuguesa, não se trata de uma babel linguística e sim a mescla dialetal e de idiomas que construíram a nossa língua desde o latim até as nossas heranças linguísticas como demonstrado no desenrolar das pesquisas e considerações anteriores.
Diante das justificativas apresentadas, não se deve aceitar qualquer preconceito linguístico ao falar acanhado e simples divergindo não somente os fonemas, mas o sotaque do povo mineiro.
Acredita-se, que esta simplicidade é também herança indígena, que os levam a falar de forma autêntica e na maioria das vezes no diminutivo.
sábado, 13 de novembro de 2010
domingo, 5 de setembro de 2010
Justificativa continuação
Nas transformações das palavras, quando há queda da ultima letra e o aparecimento de um acento, seja ele agudo ou circunflexo, pode-se dizer que é uma influencia da língua geral africana ou falar crioulo, que influenciou a área rural e urbana. Pode-se afirmar que é influencia da língua africana, em razão da inexistência de consoante nos finais das palavras no banto e yorubá, língua esta, falada na região da África de onde vieram os negros vendidos aos portugueses para a mão de obra escrava na então colônia de Portugal, hoje Brasil.
Exemplo:
Língua Portuguesa falar crioulo(yorubá ou banto) Ponderações
Verbo cantar cantá Perde a letra "R" e recebe o acento agudo.
Verbo vender vendê Perde a letra "R" e recebe o acento circunflexo.
Pronome Senhor Sinhô Perde a letra "R" e recebe o acento circunflexo.
Pronome Senhora Sinhá Perde as letras "O e R"e recebe acento agudo no"A". Substantivo Mulher muié Perde o dígrafo "lh e o R final" e ganha i.
Substantivo Ccoronel Coroné Perde o "L" final e ganha o acento agudo.
Os livros us livru Falta concordância.
nestes casos, podemos identificar, claramente, o aparecimento dos apócopes e aférese nas palavras , as trocas das letras e o surgimento dos acentos marcando a sílaba tônica caracterizando a influencia do falar crioulo.
Não podemos permitir preconceito linguístico, no falar crioulo ou africano, pois houve grande contribuição para o léxico do português brasileiro, assim como seus costumes e sua cultura afro.
INFLUENCIA AFRICANA NAS CANÇÕES DE NINAR
Dança urubu !
Eu não Sinhô!
Pruque ocê num dança?
Eu sô doutor.
O falar crioulo, não está presente somente no falar mineiro, mas também, de Norte a Sul do Brasil.
O mineiro, até a década de 1960, era mais comum fazer o diminutivo em " ITO" e não em "INHO".
Exemplo:
magro - magrilito - magrinho;
pão - paozito - pãozinho;
João - Joãozito - Joãozinho;
manga - manguita - manguinha;
menina - meninita - menininha;
pequeno - piquitito - pequenino.
Como a Língua Portuguesa e a Italiana tem origem no latim, pode-se dizer que tal influencia fora introduzida no Brasil Colônia pelas duas línguas, pois ambas abrasileiradas utilizam estes diminutivos falados não somente em Minas Gerais, mas também em outras regiões brasileiras.
No falar mineiro, encontramos variações de termos que variam conforme a região, tais como:
Zona da Mata Vale do Jequitinhonha, Norte de Minas, Vale do São Francisco e
Mucuri Belo Horizonte
Bico consolo
Currutela (pequena rua)
Abano ( peneira sem furo )
Agaravios (apetrechos )
Bacurim ( bebê ) Bacurim (Leitão amamentado )
Boco moco, mixuruca Baranga (coisa de mal gosto )
Mirrado Bembeu ( pessoa raquitica )
Zureta ( doido aluado) bistonado
Bololô (briga, confusão )
Cortiço bonserá
Breguete (sinonimo de trem ) breguete
Brol ( má qualidade)
Burgalian (tecido listrado )
Calumbi ( mata de espinho)
Bruto (estúpido)
Carriá (rio do peixe )
Carriá (rio do peixe )
Pemba (macumba )
Murrinha ( pão duro) Cazumba (Res morta acidental)
Esgadanhado (despenteado ) esgadanhado esgadanhado
Entrufado ( mal humorado ) entrufado entrufado
Magrilito - tísico estriziado
Espirito Santo de orelha - (descoberta de ações ou assunto, dificultando alguém agindo as ocultas )
espírito santo de orelha espírito santo de orelha
espírito santo de orelha espírito santo de orelha
Franga (recusa de namoro ou dança ) franga franga
Frisete ( prendedor de cabelo ) desmazelo desmazelo
Catireiro ( quem vive de barganha, também chamado de gambireiro, fazedor de gambiras)
Lapa ( ponta de chicote)
Catireiro ( quem vive de barganha, também chamado de gambireiro, fazedor de gambiras)
Lapa ( ponta de chicote)
Estou de canto chorado (passando por problemas seja de nível familiar, financeiro ou qualquer outro)
Cascudo ( peixe, pode ser também bater com a dobra dos dedos na cabeço de alguem )
Gongó (peixe conhecido como cascudo ) falado próximo a capital de Minas.
Isquitinha ( migalha de alguma coisa, diminutivo de isca )
Perrengue( fraco, doente, problema) inguengado ( Perrengue- fraco, doente, problema)
Cascudo ( peixe, pode ser também bater com a dobra dos dedos na cabeço de alguem )
Gongó (peixe conhecido como cascudo ) falado próximo a capital de Minas.
Isquitinha ( migalha de alguma coisa, diminutivo de isca )
Perrengue( fraco, doente, problema) inguengado ( Perrengue- fraco, doente, problema)
Pernilongo ou moçorongo jatium ( mosquito) pernilongo
Jurabé ( diabo ) jurabé ( Diabo ) Jurabé (diabo )
Inquieto Laquera (agitação infantil ) Inquieto
Jurabé ( diabo ) jurabé ( Diabo ) Jurabé (diabo )
Inquieto Laquera (agitação infantil ) Inquieto
Mãe-do-corpo ( Placenta ) Mãe-do -corpo Mãe-do-corpo
Missangueiro( leva sua produção Missangueiro Missangueiro
ao mercado para vendê-la )
ao mercado para vendê-la )
Patota (grupinho de jovens) Moa( sul de Minas ) patota (grupinho)
Negrinha (suporte do quador ou coador ) Mariquita Negrinha
Negrinha (suporte do quador ou coador ) Mariquita Negrinha
Besta ( bobo ) Mané Besta (bobo )
Pateco(relógio grande de bolso ) Pateco Pateco
Estronca Pigarro(triangulo mineiro, escora do cabeçalho do carro de boi )
Pichorra pranga
Estronca Pigarro(triangulo mineiro, escora do cabeçalho do carro de boi )
Pichorra pranga
Montar no trato ( desfazer negócio) Quiabar( Nepomuceno Sul de Minas )
Malanjambrado ( roupa larga no corpo) Riúna Malanjambrado
roupa larga no corpo
Sufregante ( abrir e fechar os olhos ou piscá-los) Sufregante ou piscar os olhos
Vassalo (Guarda de Nossa Senhora )Varsal Vassalo(guarda de Nossa Senhora )
Troar (sair as pressas, correndo ou fugir) Troar(sair as pressas, fugir ou correr )
Vacavém(parte trazeira do carro de boi ) Vacavem
Expressõers bastante usadas nas regiões de Minas Gerais
EXPRESSÕES SIGNIFICADO
Bater no coro para o burro entender ou Falar por enígfmas ou indiretas
Bater na cangalho para o burro entender
Não desenterrar defunto velho Não pucar do passado assunto que trás discordia
Beber agua que passarinho não bebe beber pinga ou cachaça
Batar os podres para fora
Colocar em pratos limpos falar a verdade
Burro como uma porta tapado, rude, ignorante
Cair das nuvens decepção
Chover no molhado,
Pregar no deserto ou ainda Insistir em algo que não vai trazer resultado
Malhar em ferro frio
Da pá virada
Levado da Breca Menino traquino, levado
Descer de Toa( Ô ) Ir ao sabor das águas, se remar
Vou sacudir a cangalha Remover problemas
De menor Menor de idade
De maior Maior de idade
De com força Com força( Januária)
De já hoje há pouco tempo ( Sul de Minas)
De primeiro Antigamente
Malanjambrado ( roupa larga no corpo) Riúna Malanjambrado
roupa larga no corpo
Sufregante ( abrir e fechar os olhos ou piscá-los) Sufregante ou piscar os olhos
Vassalo (Guarda de Nossa Senhora )Varsal Vassalo(guarda de Nossa Senhora )
Troar (sair as pressas, correndo ou fugir) Troar(sair as pressas, fugir ou correr )
Vacavém(parte trazeira do carro de boi ) Vacavem
Expressõers bastante usadas nas regiões de Minas Gerais
EXPRESSÕES SIGNIFICADO
Bater no coro para o burro entender ou Falar por enígfmas ou indiretas
Bater na cangalho para o burro entender
Não desenterrar defunto velho Não pucar do passado assunto que trás discordia
Beber agua que passarinho não bebe beber pinga ou cachaça
Batar os podres para fora
Colocar em pratos limpos falar a verdade
Burro como uma porta tapado, rude, ignorante
Cair das nuvens decepção
Chover no molhado,
Pregar no deserto ou ainda Insistir em algo que não vai trazer resultado
Malhar em ferro frio
Da pá virada
Levado da Breca Menino traquino, levado
Descer de Toa( Ô ) Ir ao sabor das águas, se remar
Vou sacudir a cangalha Remover problemas
De menor Menor de idade
De maior Maior de idade
De com força Com força( Januária)
De já hoje há pouco tempo ( Sul de Minas)
De primeiro Antigamente
Justificativa continuação
Com tanta herança e influencia linguística, aférese e apócope,não é de se estranhar que no mineres haja a supressão das palavras " nossa e mesmo " quando se diz: nossa Senhora! e é mesmo! para "no! e É mês!" respectivamente. Podemos também acrescentar a evolução do pronome "você " que originariamente era Vossa Mercê, houve a supressão do sufixo da primeira palavra e o prefixo da segunda, assim como, em Nossa e Mesmo e ganha acentuação, na primeira agudo na segunda circunflexo.
O mineres, não se resume aos vocabulários " trem, uai! no! e é mês!" vai muito mais além, pois seus ancestrais das etnias que falavam línguas classificadas como Macro-Jê, eram chamados de "língua travada"assim podemos citar outros pontos, principalmente no encontro de suas consoantes, nos quais há a supressão de letras e sílabas.
Exemplo
Vá embora para vá Simbora;
posto da torre para Pos'da torre;
preste atenção para Pre'tenção;
ponto de ônibus para Pon'djionibus;
poço de petróleo Pos'djipetroleo;
posto de saúde Pos'djisaude;
posto fiscal Pos'fiscal;
ponto de cruz Pon'djicruz.
Podemos observar, nestes casos que:
a) Vá simbora! - não fora suprimido e sim acrescido a letra "S" e a troca do "E" pelo " i ";
b) Pos'datorre - fora suprimido a sílaba "to" e o prefixo anexado a preposição "da";
c) Pon'djionibus - fora suprimido a sílaba "to " e o prefixo foi anexado a preposição "de" com a sonoridade do fonema dji (língua Puri);
d) Pos'djipetróleo - fora suprimida a sílaba "ço" a troca do "Ç" pelo "S" , o prefixo fora juntado à preposição "d" com a sonoridade do fonema "dji" (língua Puri);
e) Pos'saude - neste caso fora suprimido a ultima sílaba da primeira e a preposição "de " e juntado a segunda palavra à primeira em sua totalidade (os apóstrofos são de origem da lingua Puri );
f) Pos'fiscal - houve apócope da sílaba "to" e a fusão da primeira palavra com a segunda ( os apóstrofos são de origem da língua puri);
g) Pon'djicruz - fora suprimido a sílaba "to" e o prefixo fora anexado a preposição "de " com sonoridade do fonema "dji " que se pronuncia tudo junto Pos'djisaude.
Nas línguas classificadas sendo do tronco Macro-Jê, é comum o uso do apóstrofo, que o processo é o mesmo da língua portuguesa, pois quando utilizamos o apóstrofo estamos sinalizando que houve a supressão de alguma sílaba ou letra, tal como podemos observar quando falamos e escrevemos o termo copo d'agua.
Como podemos observar, nestes casos, não há influência do falar crioulo e sim herança indígena.
Podemos considerar, que o surgimento da palavra "SÔ" em final de frase como Uai e SÔ e Ô trem bom, sô! há quem diga que vem do verbo ser (primeira pessoa do singular, do presente do indicativo ) assim como, acredita-se que seja o apócope da palavra Senhor ( SÔ).
domingo, 29 de agosto de 2010
Justificativa Continuação
Já em 1565, havia o chamado preconceito linguístico, tanto dos portugueses em relação ao tupi como de ambos aos falantes de etnias agrupadas no tronco Macro-Jê.
Conforme explica a professora do Departamento de Linguística da UnB (Universidade de Brasília), Raquel do Valle Dettoni, o goiano fala com os traços muito puxados no "R " que é normalmente chamado de "R" caipira, ou linguisticamente falando de "R" retroflexo. "Como o goiano fala com esse "R" muito puxado, supõe-se que isso possa ter tido ao longo da história uma influencia da linguagem utilizada pelos bandeirantes que viviam na região do estado de São Paulo. Esses bandeirantes tinham o português marcado por esses traços , já que eram das áreas mais interioranas do Brasil, principalmente as que chamaríamos de caipira".
A tese de doutorado da professora, estudou o dialeto da baixada cuiabana, que é formada pela capital Cuiabá e pelos municípios mais antigos que se criaram no inicio da colonização nas margens do rio Cuiabá e Paraguai. Ela conta que na época da colonização os bandeirantes que penetraram pelo norte do estado do Mato Grosso e levaram a suposta língua geral Paulista , que era de base indígena (tupi). O Contato do português dos colonizadores com as línguas indígenas locais (* falantes de etnias do tronco Macro-Jê) resultou no dialeto cuiabano.
Algumas características são muito fortes nessa fala regionalizada específica de Mato Grosso. "Por exemplo:
os mato-grossenses não falam chuva e peixe , com esse som de "CHE" que nós temos, fala-se "tchuva" e "petche". Também não se fala caju e laranja, com esse som de 'GÊ' , fala-se "cadju" e "larandja", ressalta Raquel.
Como podemos observar no que foi demonstrado pela professora Raquel, comparando com o falar mineiro, a pronuncia do "DJI" acontece todas as vezes que os nascidos no Estado de Minas Gerais, pronuncia "DI" com o fonema "DJI", assim como o mato-grossense na pronuncia dos vocábulos CADJU e LARANDJA.
Na região de Caratinga, Manhuaçu e adjacências, é comum se ouvir falar "male" ao invés de "mal" que tem sua origem no latim e que na transposição desse vocábulo para a língua portuguesa, houve a supressão da vogal "e" , assim como em hospital e coronel (o termo male, hospitali e coroneli ainda é muito empregado pelas pessoas mais idosas).
Os termos "trem e uai", são de maior crítica aos mineiros, porem , quando o mineiro diz: " vou comer um trem, ou vou olhar um trem; ou ainda que trem é esse? Não está cometendo erro na língua portuguesa, tendo em vista, o termo "trem" ter sua origem no latim "trabere" cujo emprego do mesmo, pode ser para referir-se a qualquer coisa. Quanto a interjeição ou afirmção "uai" surgiu do Inglês "why"em torno de 1765, quando se deu a construção da ferrovia do trecho Minas - Vitória.
* A região central do Brasil, composta pelos, hoje estados Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, não era habitada por etnias falantes do Tupi e sim dos falantes de etnias agrupadas no tronco Macro-JÊ.
sábado, 28 de agosto de 2010
Justificativa - Continuação
Com o vocábulo frigidum do latim, quando transposta para a Língua Portuguesa, ela se transforma em frio. No mineres ela ganha o ditongo "iu" e é pronunciada "friiu ". É uma posição intervocálica.
Os grupos que vinham do latim e outros que se formaram pela queda da vogal átona localizada após a sílaba tônica, transformando-se no dígrafo lh a saber:
olho - oliiu, polvilho - polviliiu; estolho - estoliiu; espelho - espeliiu.
Quanto a juntar as palavras, temos a influencia dos romanos cuja pronuncia era juntando as palavras umas as outras e, quando surgiu a grafia, esta, era realizada da mesma forma, anexando os vocábulos uns aos outros formando uma expressão.
No Tupi, também ocorre a aférese e o apócope na junção de dois termos para formar um terceiro. Assim temos a palavra " oca ", que significa casa e a preposição " pé " que quer dizer "in".
Exemplo:
Oca e pé a primeira perde o "A" e em seu lugar surge o "I", ao se juntar com a segunda surge uma terceira palavra " Ocipé".
Nas palavras começadas com a letra "B" acrescenta-se "M" antes. É como a língua portuguesa escreve-se " m " antes de " P e B". Em Tupi em maio a fala a letra "B" é precedida de " M ".
Exemplo:
timbára , timaba.
Em nomes compostos suprime-se a ultima vogal do primeiro e junta-se, sem hífen, o segundo nome, formando uma terceira palavra.
Exemplo:
mbauúma e umbauúboca - que quer dizer casa de barro.
As letras " CE e Ç' tem a mesma pronuncia da língua portuguesa e as nasalações ocorrem com a colocação do "til , m e n".
Esta demonstração de transformação de palavras , não acontece somente nos substantivos e preposições, mas também, nos adjetivos, advérbios e nos acréscimos de partículas principalmente nos futuros do indicativo, optativos, nos pretéritos imperfeitos do conjuntivo.
Exemplo:
apâb, acém, apén e asur.
Tanto os tamoios como os tupis tocavam o "I" com grande delicadeza, e nas consoantes "C e G" a pronuncia era da mesma forma aimeeng, aimeénginé.
Nos vocábulos terminados em "T", como acepiát e aipotâr; na formação dos compostos cai a última consoante do primeiro verbo e as duas primeiras letras do segundo verbo, assim como a mudança do acento grave para circunflexo na primeira palavra, e a segunda permanece o acento.
Exemplo :
verbos acepiàt e aipotâr se transformam em acepiâpotâr
Deve-se observar que na língua Tupi, há abundância na acentuação com o uso do acento grave, agudo, e circunflexo na mesma palavra.
Nomes com a preposição " pé ", que quer dizer " in " em palavras que tem acento na penúltima sílaba , perdem a ultima vogal.
Exemplo:
oca= casa transforma-se em ócipé que quer dizer casa; sendo o "I" de ócipé com a pronuncia áspera.
No tronco Macro-JÊ, especialmente, nas poucas palavras encontradas no Vocabulário da Língua Pury, há várias palavras escritas com o fonema "DJI" com pronuncia semelhante a de "DJIÃO = JOÃO "; DE OLIVEIRA = DJIOLIVEIRA.
No Brasil de 1500, não se falava somente o Tupi, havia o Guarani no sul, o JÊ na região central e no sudeste, porém os Jesuítas mantiveram contato com os tupis e estudaram somente a Língua Tupi, que consideravam os Jês como inimigos, tanto no contato físico como na língua. Viviam em guerra e os apelidaram de tapuias, que significa bárbaros, e como falavam diferente os chamavam de língua travada e silvícolas. Essa desavença foi transmitida aos catequizadores, que olhavam os JÊS, preconceituosamente, tanto no contato catequético , como linguístico. Assim podemos observar, pela falta de registros das línguas que integram o tronco Macro-Jê, línguas faladas pelas etnias dos habitantes da região central, norte do Rio de Janeiro, Espirito Santo e todo o território que hoje é o estado de Minas Gerais.
JUSTIFICATIVA DO DIALETO MINEIRO
No nosso país existem vários sotaques, o nortista, nordestino, mineiro, paulista, carioca e o sulista, devido as várias etnias indígenas que ocupavam tais espaços antes da chegada dos europeus em nosso território. Não podemos deixar de citar o mais novo sotaque e dialeto que é o resultado da miscigenação das regiões brasileiras desde a fundação da capital federal. Nos últimos anos o falar do brasiliense (candango ) tem se personalizado e é muito forte a influencia mineira e nordestina, tanto no falar como na alimentação como em toda cultura.
Com isso nossa Língua tomou cor, segundo Possenti em sua obra "A cor da Língua ". Porém sotaque e dialeto são coisas distintas, no primeiro há entendimento do que se ouve, ao passo que no segundo, principalmente quando nossos sentidos não estão habituados àquela linguagem, temos dificuldade em entender o que ouvimos.
Exemplo:
O carioca fala: pão de queijo; limpe o quarto de Lúcia; compre um litro de leite; ponha em baixo da pia.
O mineiro diz: pãodjiqueij; limpquardjiLúcia; comprelidjileiti; ponhaimbaidapia.
Qual de nós nunca tenha ouvido um mineiro falar, ou mesmo lido alguma piada referente à fala mineira. Impossível!
Traços Fonéticos
O dialeto mineiro apresenta peculiaridades, tais como:
a) Apócope das vogais curtas, parte é pronunciado part' (com o " T " levemente sibilado; e também do "D" no gerúndio;
Exemplo: comendo passa a ser comendu ou comenu.
b) Permutação de " E " em " I " e do " O " em " U " quando são vogais curtas;
Exemplo: espada passa a ser ispada; estômago passa a ser istomagu.
c) Aférese do " E " em palavras iniciadas por "ES " e a troca do " E " no final da palavra por "I ";
Exemplo: esport para sporti.
d) Flexão do artigo no plural, à semelhança do caipira;
Exemplo: Os livros, é dito us livru;
Meus filhos, se pronuncia, se pronuncia meus filiu.
e) Alguns dos ditongos " FIO " passam a ser vogais longas "FII ", e todos os ditongos "OU " e "EI ", tais como: frouxo, pouco, louco, mineiro, sapateiro, carroceiro; passam a ser : froxu, pocu, mineru, sapateru, carroceru, respectivamente;
f) As palavras terminadas com os dígrafos: lh e nh, , tais como : espelho, pinho, ninho, caminho, ; passam a ser ispeliu,pin,ninh, camin e seus diminutivos ispelin; ninzin, pinzin e caminzim;
g) Contração frequente de locuções: " abra as asas" passa a ser abrazaza;
h) Palavras com S ou Z e não no final como é em vários idiomas.
Exemplo:
a) Por que ocê está questa cara que não é sua !
b) Quést's crianças! Mãe pedindo as crianças que fiquem quietas;
c) S'trudia - Noutro dia - advérbio de tempo;
d) José está demorandjimais!
e) Quanta z'ora? Alguém perguntando as horas;
f) LimpiquardjiRaphael! - Limpe o quarto de Raphael!
E outros vocábulos soltos, tais como:
Pronuncia do mineiro
- iscovadjidente - escova de dente;
- dendufornu - dentro do forno;
-ansdjiontem - antes de ontem;
-dentifrissu - dentifricio;
-setssetembru - sete de setembro;
- sapassado - sábado passado;
- tidjiguerra - tiro de guerra;
- oliiuchêru - olha o cheiro;
- prazdaliberdadi - praça da liberdade;
- vidjiperfumi - vidro de perfume;
- oliaprocêvê - olha pra você ver!;
- tirissodaí ! - tira isso daí!
- ondiéquié? - onde é qui é?
- ondjiéqu'stô? - onde é que estou?
- diacompadi! dia sô! - bom dia compadre! bom dia Senhor;
- caisopô - caixa de isopor;
- praonnóistamuinnu? - pra onde nós estamos indo?
- imbaidapia - em baixo da pia
Justificativa
No dialeto mineiro, assim como nos demais , das outras regiões do nosso país, as pessoas suprimem o "m " da palavra " homem " em razão desta ter origem no latim " homo", também suprimem nos substantivos terminados em "Em ", tais como: folhagem,, carruagem, ferragem e outras.
Exemplo: folhagi, carruagi, ferragi.
No latim o "A, E e o O", não se transformam, porém, o "I" se transfoma em "E e o U" se transforma em "O". Já na Língua Portuguesa brasileira, o "A " não se transforma , porém o "E e o O", são reduzidos a "I e U" respectivamente, quando a última letra é uma vogal curta. Mesmo ocorrendo em outras regiões a pronuncia do mineiro é mais acentuada.
Exemplo:
cinzeiro - cinzeru; copeiro - coperu; caderno - cadernu; diamante - diamanti; dinamite - dinamiti; estante - istanti.
No Latim ocorre a sonorização de consoantes intervocálicas surdas em sonoras daquelas que estão entre vogais, quando da transposição para o português.
Exemplo:
capo - cabo; amadum - amado.
É ponto marcante a Apócope das vogais curtas como " Parte " que é pronunciado "Part' " com o "t" levemente sibilado, e também o "d " no gerúndio como "Comendo " passa a ser "Comendu".
Derivada do Latim a palavra "spngia" quando transposta para a Língua Portuguesa, passou a ser "esponja" ocorre a aférese do " E " em vocábulos iniciado por "ES".
Exemplo:
esporte para sporti - com a redução do " E" no final da palavra para "I".
É bom frisar, que em todo país ocorre a supressão do "E" nas palavras começadas por "ES", logo não se trata de exclusividade do falar mineiro.
Exemplo:
espada - ispada; escola - iscola, espreme - ispreme - 3ª pessoa do singular, do presente do indicativo do verbo espremer; espumante - ispumanti.
g) Contração frequente de locuções: " abra as asas" passa a ser abrazaza;
h) Palavras com S ou Z e não no final como é em vários idiomas.
Exemplo:
a) Por que ocê está questa cara que não é sua !
b) Quést's crianças! Mãe pedindo as crianças que fiquem quietas;
c) S'trudia - Noutro dia - advérbio de tempo;
d) José está demorandjimais!
e) Quanta z'ora? Alguém perguntando as horas;
f) LimpiquardjiRaphael! - Limpe o quarto de Raphael!
E outros vocábulos soltos, tais como:
Pronuncia do mineiro
- iscovadjidente - escova de dente;
- dendufornu - dentro do forno;
-ansdjiontem - antes de ontem;
-dentifrissu - dentifricio;
-setssetembru - sete de setembro;
- sapassado - sábado passado;
- tidjiguerra - tiro de guerra;
- oliiuchêru - olha o cheiro;
- prazdaliberdadi - praça da liberdade;
- vidjiperfumi - vidro de perfume;
- oliaprocêvê - olha pra você ver!;
- tirissodaí ! - tira isso daí!
- ondiéquié? - onde é qui é?
- ondjiéqu'stô? - onde é que estou?
- diacompadi! dia sô! - bom dia compadre! bom dia Senhor;
- caisopô - caixa de isopor;
- praonnóistamuinnu? - pra onde nós estamos indo?
- imbaidapia - em baixo da pia
Justificativa
No dialeto mineiro, assim como nos demais , das outras regiões do nosso país, as pessoas suprimem o "m " da palavra " homem " em razão desta ter origem no latim " homo", também suprimem nos substantivos terminados em "Em ", tais como: folhagem,, carruagem, ferragem e outras.
Exemplo: folhagi, carruagi, ferragi.
No latim o "A, E e o O", não se transformam, porém, o "I" se transfoma em "E e o U" se transforma em "O". Já na Língua Portuguesa brasileira, o "A " não se transforma , porém o "E e o O", são reduzidos a "I e U" respectivamente, quando a última letra é uma vogal curta. Mesmo ocorrendo em outras regiões a pronuncia do mineiro é mais acentuada.
Exemplo:
cinzeiro - cinzeru; copeiro - coperu; caderno - cadernu; diamante - diamanti; dinamite - dinamiti; estante - istanti.
No Latim ocorre a sonorização de consoantes intervocálicas surdas em sonoras daquelas que estão entre vogais, quando da transposição para o português.
Exemplo:
capo - cabo; amadum - amado.
É ponto marcante a Apócope das vogais curtas como " Parte " que é pronunciado "Part' " com o "t" levemente sibilado, e também o "d " no gerúndio como "Comendo " passa a ser "Comendu".
Derivada do Latim a palavra "spngia" quando transposta para a Língua Portuguesa, passou a ser "esponja" ocorre a aférese do " E " em vocábulos iniciado por "ES".
Exemplo:
esporte para sporti - com a redução do " E" no final da palavra para "I".
É bom frisar, que em todo país ocorre a supressão do "E" nas palavras começadas por "ES", logo não se trata de exclusividade do falar mineiro.
Exemplo:
espada - ispada; escola - iscola, espreme - ispreme - 3ª pessoa do singular, do presente do indicativo do verbo espremer; espumante - ispumanti.
Vocabulário Pury continuação "N"
Português Puri
N
nariz ahm'ni
nhambu shaprúra
noite mripô
nuvem huerahschka
O
olho mri
onça pon-an
osso am'mi
ouro mretetêna
P
paca arotah
papagaio (jurujuba ) shtronha, shitrohra
passarinho chipú
pai charé
palmito (palmeira ) ehkah
pé chapêprera (ver mão)
pedra uk'huá
peixe nhgamaquê
pena chipupê
perna katenhra
pote pom
pombo schandô
porco sotanxira
porco castrado açohtl'axira
preto pehuôno
pud, mulieris tocoh
pud hominis ashim
pular guaschantl'eh
Q
quati schamutan
queixada sôtan
quixerenguengue peh'oh
R
ramo pôtl'ica
rapadura capôna
restilo (aguardente) canjâna
rio mnhãma-rôca
rir l'ipon'
roupa antuh
rusga guaschê
S
sal orvi
sangue ahtl'im
santo Tupan
sapo shaluh
sauá( macaco) beth-amûm
sol oppeh
T
taquara uhtl'an
tardinha toschá
tatú tutú
terra uchô
testa poreh
toucinho ahnhimim
trepar em árvore bocuah
trovejar Tupan ruhuhú
tumbaca ( pássaro) kupan
U
umbigo kah'ira
unha chapepreraquê
V
veado nom'ri
velho tahé
verde tongôna
você dieh
Do catecismo Pury (tronco Macro-Jê) as seguintes expressões
-Etnônimo Pakis ( que segundo os próprios purys significa - gente mansa
-Vuti - nome próprio masculino
- Tupengoio cupê - já foi batizado?
-tupengoio empujá - quer ser batizado?
-amá tupengoio cupê-ké - quero que sim!
N
nariz ahm'ni
nhambu shaprúra
noite mripô
nuvem huerahschka
O
olho mri
onça pon-an
osso am'mi
ouro mretetêna
P
paca arotah
papagaio (jurujuba ) shtronha, shitrohra
passarinho chipú
pai charé
palmito (palmeira ) ehkah
pé chapêprera (ver mão)
pedra uk'huá
peixe nhgamaquê
pena chipupê
perna katenhra
pote pom
pombo schandô
porco sotanxira
porco castrado açohtl'axira
preto pehuôno
pud, mulieris tocoh
pud hominis ashim
pular guaschantl'eh
Q
quati schamutan
queixada sôtan
quixerenguengue peh'oh
R
ramo pôtl'ica
rapadura capôna
restilo (aguardente) canjâna
rio mnhãma-rôca
rir l'ipon'
roupa antuh
rusga guaschê
S
sal orvi
sangue ahtl'im
santo Tupan
sapo shaluh
sauá( macaco) beth-amûm
sol oppeh
T
taquara uhtl'an
tardinha toschá
tatú tutú
terra uchô
testa poreh
toucinho ahnhimim
trepar em árvore bocuah
trovejar Tupan ruhuhú
tumbaca ( pássaro) kupan
U
umbigo kah'ira
unha chapepreraquê
V
veado nom'ri
velho tahé
verde tongôna
você dieh
Do catecismo Pury (tronco Macro-Jê) as seguintes expressões
-Etnônimo Pakis ( que segundo os próprios purys significa - gente mansa
-Vuti - nome próprio masculino
- Tupengoio cupê - já foi batizado?
-tupengoio empujá - quer ser batizado?
-amá tupengoio cupê-ké - quero que sim!
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Vocabulário Pury continuação "M"
Português Pury
M
macaco tanguah
macuco shpahra
madrugada vemudah
mãe inhan
mamar nhamabtá-hm'bá
maminha nhamantah
mão chapeprera
macaco barbado tokeh
macaco sauá beth-amûm
mandioca veijuh (beiju)
mata (com ferro) môm'ran
matar (com pau) mopô
mato virgem tschóre
mau krohkon
meio-dia huáratirukah
mel butan
meu ah
milho maki
moça mbl'êma schu teh
mono(macaco, homem feio, desajeitado) pahra
morar lekah
morder trchemurung
morrer mbôno
mulher mbl'êma
M
macaco tanguah
macuco shpahra
madrugada vemudah
mãe inhan
mamar nhamabtá-hm'bá
maminha nhamantah
mão chapeprera
macaco barbado tokeh
macaco sauá beth-amûm
mandioca veijuh (beiju)
mata (com ferro) môm'ran
matar (com pau) mopô
mato virgem tschóre
mau krohkon
meio-dia huáratirukah
mel butan
meu ah
milho maki
moça mbl'êma schu teh
mono(macaco, homem feio, desajeitado) pahra
morar lekah
morder trchemurung
morrer mbôno
mulher mbl'êma
Diferença entre Indios falante da Língua Tupi - Guarany e Macro-JÊ
Há grandes diferenças entre o povo tupi e os macro-jês, pode-se destacar a espiritualidade, a alimentação, o artesanato e outras.
Da espiritualidade
Quanto a espiritualidade, os Jês, são direcionados pela ideia da vida, enquanto os tupis, vêem o mundo dos mortos muito mais presente.
Da alimentação
As sociedades Jês, nos legou o gosto pelo consumo do feijão, do milho, do amendoim, do churrasco, peixe, frutas e raízes ao passo que os tupis, o consumo da mandioca e seus derivados pirão, frutas, raízes, mel e larvas uns preferem casa de chão outros não. Temos que ressaltar também os tratamentos a base de ervas e raízes extraídas da matas.
Da música
Tanto os Jês como os Tupi nos deixaram o gosto pela música, o primeiro temos o famoso " Canto do Vaqueiro do Sertão" e do forro e o segundo os cantos folclóricos e suas danças.
Dos Rios e Cidades
Os Jês nominou os rio e cidades na região que habitavam tais como: Poté, Nanuque, Corumbá, Cuiabá, Chapecó, Caratinga, Manhuaçu e outros. O mesmo ocorreu com os índios Tupis nominaram as cidades e rios nos territórios onde habitavam tais como: Caicó, Timbira, Curupi, Tietê, Grajaú, Pindamonhangaba, Inhangabaú e outros.
Do Artesanato
As etnias pertencentes ao tronco Macro-Jês são ótimos artesãos em taquaras, bambus, palhas, embiras, na fabricação de esteiras e penas, na produção de cerâmica são mais simples, assim no manuseio da cerâmica, perdem para os do Tronco Tupi que produzem este artesanato mais sofisticado e aparentemente de melhor qualidade , assim como a produção de redes. por isso, os Jês dormem pele de animais ou em esteiras ou jiraus, ao passa que, os tupis dormem em redes.
No Vocabulário
Há grande diferença no vocabulário Jês se comparado ao Tupi. No Jês encontramos grande incidência do fonema "DJ" e a utilização de apóstrofos no Tupi antigo as acentuações, a forma de formação de palavras compostas e de frases, conforme demonstrado anteriormente comparando a Arte da Gramática da Língua mais falada na costa do Brasil - Pe Anchieta, e o vocabulário da Língua Pury que será demonstrado mais adiante.
São muitas as diferenças entre as etnias do Tronco Macro - Jê e do Tronco Tupi, logo os habitantes dos estados centrais de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso tem sua cultura, seus costumes, sua alimentação e como não poderia ser diferente, uma forma ímpar no falar e nos seus sotaques . Sem preconceito linguístico, é claro.
Entre os tchês e gês da nossa dgente Linguista defende que cuiabano não fala errado e que “beleza” da linguagem está em quem vê.
Por Thiago Foresti, redação site TVCA Um dos aspectos mais importantes e pouco representados da cultura cuiabana é a linguagem. Não existem novelas, filmes ou programas nacionais que exibam o modo de falar daquele cuiabano comumente chamado de “tchapa e cruz”, de falar manso, doce e tranquilo. A professora Lúcia Helena Possari, do Instituto de Linguagens da UFMT, natural de Ribeirão Preto, se encantou pelo sotaque assim que chegou ao nosso estado e resolveu estudar o tema. O resultado foi um livro chamado“Vozes Cuiabanas” no qual discute vários aspectos desse linguajar, inclusive o que o próprio cuiabano acha da própria língua. “Não diria que o cuiabano tem orgulho nem vergonha. Depende do grau de afetividade com que cada um se relaciona com esse falar. O que a gente sabe é que a linguagem está sendo friccionada o tempo todo. A língua é dinâmica, é porosa, ela vai adquirindo, vai modificando”, explica a professora. Ela também lembra do caso do comediante Lio Arruda, que fez muito sucesso aqui na década de 90. Arruda fazia parte de um projeto “Muchirum Cuiabano” (Mutirão Cuiabano) que era uma proposta de resgate da língua proposto por alguns intelectuais. “Em todas as peças ele usava traços linguísticos em tom de humor. No jornal fazia uma transposição da oralidade exatamente de como era falado para a escrita. Ele transcrevia exatamente como ela falava no impresso. Sua proposta era manter e preservar o que não era possível” Sim, pois para a professora é impossível preservar uma língua, principalmente porque ela é dinâmica e muda a todo momento. “As pessoas mais apocalípticas pensam na extinção, no extermínio disso ou daquilo. As coisas se transformam isso sim, mas muitos traços vão permanecer por muitos séculos, tenho certeza”. Ela diz que a mídia é uma grande influência na media em que as principais emissoras tentam pasteurizar a língua portuguesa em todo território nacional: “há a tendência de que a emissora, que como o próprio nome diz funciona como pólo emissor, tenda a uniformizar a língua no Brasil inteiro. É claro que ela consegue, até certo ponto, fazer interferências, mas não vai conseguir uniformizar a língua porque a cultura é muito mais dinâmica”. Quanto a velha pergunta: O cuiabano fala certo ou errado? A professora também tem uma teoria. “O que mais chama atenção são alguns aspectos da fala, como o chê e gê, talvez os mais característicos. Isso é falar cuiabano. No entanto algumas pessoas se assustam com o chamado rotacismo (que é a troca do lá pelo rá), mas é bom lembrar que isso não é falar cuiabano. Em qualquer região do Brasil você vai encontrar essa mudança de fonema, pode ir no Rio de Janeiro e vai ouvir alguém falando Fra-fru, por exemplo”. Nesse sentido, é possível afirmar que o cuiabano não fale melhor nem pior do que em qualquer outra parte do Brasil. Talvez esse mito do “falar errado” seja algo criado por quem não entende muito de linguagem. A professora explica que é uma tendência de quem vem de fora considerar que o que ele traz é melhor do que o que vai encontrar aqui. “Não só pelo modo de falar, mas por tudo o que ele representa, entre aspas, vindo de um estado mais desenvolvido de um estado onde a renda per capita é maior. Ele então se impõe, mas no fundo não consegue, porque não existe imposição de cultura. As coisas se encaixam, um influencia o outro, o outro influencia um”. Essa recusa e distanciamento que o falar cuiabano encontra pode resultar em vergonha. A professora diz que as pessoas com pensamento mais avançado nessa ciência tendem a deixar o purismo da língua portuguesa de lado. Como ela diz: “As coisas são como elas são. Tudo tem jeito, tudo se encaixa, se modifica. Sempre tem um purista de plantão que vai dizer que em Cuiabá se fala errado. Vai dizer que todos os falares deveriam obedecer a norma padrão. Mas isso não é verdade, cada lugar do Brasil tem um falar diferenciado um do outro”. O Falar Cuiabano No Brasil, país de população multifacetada em relação às suas origens, cada região se desenvolveu de acordo com o momento no qual foi ocupado, de acordo com os interesses econômicos vigentes tais como o pau-brasil, o ouro e a cana-de-açúcar. Assim, o falar de cada local foi se moldando neste encontro de povos vindos de fora - portugueses, espanhóis, africanos e holandeses - com a população local - os índios. Cuiabá viveu mais de século isolada dos centros econômicos mais importantes, mantendo-se nesse período em uma economia de subsistência, através de formas artesanais de produção. Este contexto fomentou a formação do falar cuiabano, pois, além de Mato Grosso estar afastado dos grandes centros da economia nacional, esta era uma época na qual não existiam os meios de informação que nivelam a língua. Esta região era periférica e não se influenciava pelo dinamismo urbano que já transformava a linguagem em locais mais abastados economicamente; assim o falar cuiabano se cristalizou através das suas influências mais locais: os índios, os portugueses, os africanos e os espanhóis. Em seu processo histórico, o fato que mais influenciou a formação do que hoje é o falar cuiabano foi o final da Guerra da Tríplice Aliança - a Guerra do Paraguai - quando os prisioneiros paraguaios da Retomada de Corumbá ficaram confinados à margem direita do rio Cuiabá, atual cidade de Várzea Grande. Ao final do conflito, os prisioneiros não retornaram ao seu país de origem e permaneceram pela região ribeirinha, miscigenando-se com a população local. Esta integração acarretou na influência sobre a cultura regional, através de novos costumes, danças - a polca paraguaia e o siriri - e moldou o linguajar cuiabano. Fonética – O som das palavras De acordo com o livro Do falar cuiabano, de Maria Francelina Ibrahim Drummond (DRUMMOND, Maria Francelina Silami Ibrahim. Do falar cuiabano. Cuiabá: Secretária Municipal de Educação e Cultura, 1978), Mato Grosso, classificado dialetologicamente, está compreendido nas áreas pastoril e da mineração. À primeira, chama-se "ciclo do ouro", e a segunda compreende o "ciclo da mineração propriamente dito" e o "ciclo da garimpagem" nas margens dos rios e lagos diamantíferos de Mato Grosso. Sob o ponto de vista da fonética, classifica-se ainda como sendo a zona das africadas tch e dj, do R e L pós-vocálicos com articulação, denominada retoflexa pelo professor Serafim da Silva Neto. Ressaltam-se os seguintes aspectos da fonética: I. VOGAIS a. Tônicas /a/ Desnasalização em final
irmã - irmá
tarumã - tarumá Seguido de nasal, não se nasaliza e se abre
lancha - láncha
pano - páno /e/ Final fechada tônica se abre
bangüe - bangüé Com nasal:
/a/, /e/, /o/
Não-nasalação do /a/, /e/, /o/
conheço - conhéço
fome - fóme b. Átonas 1. Ocorre freqüentemente a aférese do a igarité - garité
amanhacer - manhecer
amoitecer- noitecer
alarido - larido
alambrado - lambrado 2. /e/ Protônico seguido de r passa a i, caindo o r
senhor - sinhô
medir - midi 3. /e/, /o/ Finais se pronunciam /E/ e /O/ e não /i/, /u/
de - dE (dê)
jeito - JeitO
carro - carrO 4. Mantêm-se a vogal média e as extremas /A/, /I/, /U/. II. DITONGOS 1. /io Final se transforma em /iu/
rio - riu
baixio - baixiu
fio - fiu 2. /eu/ Oral aberto em final se fecha
Poxoréu - Poxorêu
chapéu - chapêu 3. /ou/ Final se reduz a /ô/
estou - estô
falou - falô/a/, /e/, /o/ 4. /ãe/ Final desnasaliza-se
mamãe - mamai 5. /ai/ No interior, passa a /ei/
raiva - reiva
Diante do palatal, no interior, reduz-se a /a/ e diante de /k/
paixão - paxão
caixão - caxão 6. /ei/, /ai/, /oi/ Seguidos de sibilante se reduzem
seis - sês
mais - mas
demais - demás
depois - depôs
7. /ei/ Em posição interna, antes de palatal ou R, passa a /ê/
queijo - quejo
luzeiro - luzero
cativeiro - cativero 8. /ão/ Final passa a /on/
coração - coraçon
visão - vison
baratão - baraton III. CONSOANTES Pré-vocálicos mantêm-se;
Pós-vocálicos ensurdecem ou caem 1. /r/ Final cai
principiar - principiá
parar - pará
rebuçar - rebuçá 2. /b/ Passa a /v/
gabo - gavo
pereba - pereva
jabuticaba - jabuticava
piaba - piava 3. /j/ Passa a /dj/
caju - cadju
jóia - djóia
japa - djapa
João - djoão 4. /s/ Inicial passa a /ch/
Sô - chô
Sá - chá 5. /z/ Intervocálico passa a /g/
várzea - várgea
vazio - vagio 6. /l/ Final se vocaliza diante de /e/ e /i/
papel - papéu
sutil - sitiu
ou desaparece
canzil - canzi
depois de /a/, desaparece:
qual? - quá?
saranzal - saranzá
angical - angicá 7. /lh/ Passa a /i/
tralha - traia
mulher - muié
palheiro - paiero
afilhado - afiado
8. /x/, /ch/ Passam a /tch/
peixe - petche
Coxipó - Cotchipó
mexer - metcher
chuva - tchuva
pincha - pintcha
chincha - tchintcha Sobre o /tch/ e /dj/ há grande discussão entre os diversos autores, o Professor Serafim da Silva Neto questiona a relação entre o tch, do Norte de Portugal e o presumido tch regional brasileiro, para ele tal fonema teve a mesma duração do tchê, pois é provável que já tivesse desaparecido no século XV. Segundo Silva Neto, para se dar a exata interpretação histórica do tch e do dj é necessário estabelecer a área geográfica e respectiva base humana, a área se estende pelo interior de Mato Grosso, São Paulo e faixa costeira do Paraná, uma área de colonização paulista; tal falar foi precedido de um longo período de bilingüidade, em que se falava, juntamente da língua portuguesa, a língua dos índios. Silva Neto ainda acrescenta que o fonema tch em tupi foi observado em trabalhos lingüísticos, como o de Saint-Hilaire, que pesquisou a maneira pela qual os brasileiros das áreas citadas emitiam o ch português, e descobriu que era um ch totalmente indígena, não era tch nem ts. Silva Neto conclui: "dada a sua peculiar base humana e área geográfica, o tch se constitui o resultado e a continuação de uma pronúncia de aloglotas". (Serafim da Silva Neto, "Língua, Cultura e Civilização", IN Do falar cuiabano). Outros Aspectos Fonéticos 1. No gerúndio, desaparece o 'd' da terminação falando - falano
dormindo - dormino
esquentando - enquentano 2. Troca-se o /o/ pelo /u/ em vocábulos como: foge - fuge
e /ou/ em /u/: ouve - uve 3. /bl/ passa a /br/ blefe - brefe
neblina - nebrina
bloco - broco 4. /pl/ passa a /pr/ plano - prano
planície - pranice 5. Assim O vocábulo assim se altera em ansi:
nasaliza-se o /a/ inicial,
desnasaliza-se o /i/ final. 6. Freqüentemente se deslocam sílabas tônicas de paroxítonas terminadas em /ão/ e de proparoxítonas. bênção - benção
espírita - espirita
hidráulica - hidrole 7. Grupo /pr/ seguido de /o/ passa a /por/. proíbe - poribe 8. /oi/ passa a /ori/ depoimento - deporimento 9. A preposição para pasa a pra e/ou se aglutina com os artigos e o pronome você sincopado (ocê). pra
pras
procê 10. 'Por' passa a pro. "Dei ocê pro morto". Morfologia e sintaxe do falar cuiabano O falar cuiabano é encontrado mesmo entre os que têm maior contato com a vida urbana, os mais jovens que ouvem rádio, vêem televisão, lêem jornal, enfim, que participam de atividades de lazer e profissional com outros grupos sociais. Percebe-se então na população mais nova características da fala dos mais idosos, sem que haja um conflito de comunicação entra ambas as gerações. É evidente, no entanto, que haja diferenças de vocabulário, com o acréscimos de termos pelos mais jovens, de acordo com o contexto vivido por eles. Eis alguns pontos de destaque: I. SUBSTANTIVO O que se pôde observar de mais freqüente quanto ao substantivo foi o seguinte: 1. Costuma haver mudança de gênero, marcada no pronome e/ou artigo seguinte ao nome. "Mora num casa desses." 2. Quanto à flexão de grau, notam-se casos em que o aumentativo é construído usando-se o sufixo aina. Comezaina, chapelaina.
Ou ainda com o sufixo ada.
Galinhada, pexaiada. 3. Quanto ao diminutivo, encontramos, com freqüência, a formação com o sufixo ote. Capãozote, gurizote.
Ou ainda:
Machucadorinho, dorinha (dorzinha). 4. A entonação da voz também diz muito. Alonga-se ou se diminui a intensidade da sílaba tônica do vocábulo, conferindo-lhe valor aumentativo ou diminutivo, respectivamente. "Moro loonge daqui!"
"Tem um guri piquinininho." II. ADJETIVO Normalmente, a adjetivação é contida; a linguagem é sobretudo referencial e centra-se no substantivo. Quanto ao uso do adjetivo, observa-se o seguinte. 1. Não se forma o feminino dos adjetivos, os quais se usam indistintamente no gênero masculino, aplicados a seres femininos e masculinos. "Ah, dona! Hoje tô demais de fraco. Nem num sei o que me deu." (mulher falando).
"Fiquei apurado pensando na vasilha que num vinha mais." (mulher falando).
"Acho a vida bom justamente porque tô acompanhando o ritmo dos mais novos."
"A porta tá aberto."
"A rapadura tá fino. Ficou demais de bom."
"Peixe era fartura. Tinha rês, galinhada farto." 2. O superlativo é formado usando-se a expressão demais de, antes do adjetivo. "Tá demais de bom."
"Ô quá! Tá demais de quente!" 2.a. Também se encontram construções freqüentes como no exemplo abaixo em que o superlativo se forma com outro adjetivo, reforçando o sentido (superlativo). "Põe chico-magro pra ferver com o caldo e ele fica alvo de branco." 2.b. Ou ainda utilizando-se a expressão de uma vez. "Toma este chá e fica bom de uma vez." (ótimo).
"Ficou doido de uma vez." (doidíssimo). III. PRONOMES PESSOAIS DE TERCEIRA PESSOA Empregam-se estes pronomes indistintamente no gênero masculino, aplicados a seres femininos e/ou masculinos ou que correspondem ao pronome feminino.
"Ele vai agorinha." (O falante se referia a uma menina).
"As criançada tá sem domínio. Ninguém num pode com ele."
"Ele chama Isabel." IV. PRONOMES DEMONSTRATIVOS Observa-se a mesma ocorrência citada acima. Prevalece sempre o gênero masculino.
"Esse é bravo." (Referência a mulher).
"Mas a vida é esse mesmo." V. PRONOMES POSSESSIVOS Não se observa a ocorrência citada, mas constata-se construções comuns, como as que se seguem em casos do possessivo ser posposto ao substantivo. Em caso de anteposição, não se registra.
"Era uma prima meu."
"Este é filho de irmá meu."
"A casa era meu e das irmandade toda." VI. PRONOMES INDEFINIDOS São comuns três expressões que substituem os pronomes indefinidos muito, muita, muitos e muitas: que só, que tava, que era. "Tinha mato que só."
"Festa bonita. Festa que tava."
"Bicho que era! Nunca vi tanto!" VII. PRONOMES DE TRATAMENTO Entre os falantes mais idosos, não se flexiona a forma senhor no feminino.
"Sinhô tá bom?" (cumprimento a uma mulher).
"Sinhô?" (interrogando uma mulher). VIII. VERBOS SER E IR No pretérito perfeito do indicativo, a primeira pessoa do singular é sempre empregada como terceira.
"Eu foi pescador a vida inteira." (ser).
"Eu foi pro hospital primeira vez." (ir). IX. VERBO PÔR O mesmo ocorre com o verbo pôr no pretérito perfeito do indicativo.
"Eu pôs os cestos de lado e fui ver." X. VERBO ESTAR No pretérito perfeito do indicativo, a primeira pessoa do singular é empregada como terceira.
"Eu esteve." XI. NEGATIVAS Comum é o emprego de duas negativas numa mesma oração, relacionadas ao mesmo verbo.
"Eu nem num sei quanto que é."
"Ninguém num viu a cara dele, só o lombo grande." XII. EXPRESSÃO EQUIVALENTE A DEMAIS É de uso generalizado a substituição do advérbio demais pela expressão esse mundo, equivalente a intensidade.
"Lá é longe esse mundo!" (Lá é longe demais!).
Convém ressaltar, frisando mais uma vez, que a intensidade é reforçada pela tonalidade da voz do emissor ao se exprimir nestes termos. Existe um alongamento exagerado de entonação da palavra modificada pela expressão esse mundo. É pronunciada demoradamente, e, por si só, já indicaria distância imensa. XIII. VERBO VIR No imperativo afirmativo, prevalecem, na totalidade dos casos, as terceiras pessoas do singular e do plural. O mesmo não se observa em outros verbos de uso mais freqüente.
"Venham, crianças!"
"Venha, guri; larga disso!" XIV. MUDANÇA DE CLASSES DE PALAVRAS 1. O pronome indefinido tudo passa a substantivo "Já fiz de um tudo". 2. Artigo indefinido passa a substantivo "Só tenho um filho. Só este um."
Este exemplo poderia representar um caso de zeugma. Existem casos em que o falante se refere ao ser e, sem mencionar o nome, constói orações da seguinte forma: "Este um é meu." 3. Adjetivo passa a advérbio. Caso específico de duro, cujo emprego é generalizado, fato comprovado em outras áreas da cidade, entre falantes de diversos níveis socioculturais. "Bate duro!"
"Desceu o rio, piloteando duro." 4. Advérbio demais Este advérbio se transforma comumente em adjetivo, seguido de preposição de.
"Aí vinha demais de povo."
"Era demais de peixe que dava. Jogava fora ou dava pros outros ou fazia azeite." XV. ALGUMAS REGÊNCIAS NOMINAIS E VERBAIS Alteram-se as regências de muitos verbos e nomes no falar cotidiano. Talvez isto aconteça visando a se dar maior ênfase ao enunciado - outro item aberto a investigações. Vejam-se algumas ocorrências. 1. Chegar Emprega-se com a preposição de em vez de a, nas locuções verbais.
"Ele chegou de fazer assim." 2. Pelejar Muito usado como transitivo direto, significando trabalhar, lutar no dia-a-dia.
"A gente continua aí, pelejando a vida." 3. Lutar a. Na acepção de trabalhar com, lidar com, é empregado com a preposição contra.
"Eu luto contra o gado."
"Nós tudo sempre lutou contra lavoura." b. Também é usado, na acepção indicada acima, com a preposição com.
"Minha vida foi lutar com peixe, comprar e vender peixe." 4. Perguntar Na acepção de informar-se, é tomado como transitivo indireto, regido de preposição de.
"Perguntei de sua casa pra ele. Num sabia." 5. Telefonar Encontra-se telefonar no lugar de telefonar pra, com o mesmo significado deste último.
"Fui em Várzea Grande, telefonar em casa do doutor." 6. Fornecer É comumente empregado com a preposição de, regendo o termo que seria objeto direto.
"Naquela época, a gente fornecia ele de leite." (Em vez de: Naquela época, a gente lhe (= ele) fornecia leite (= de leite). 7. Emprestar Construções em que se utiliza este verbo, apresentam-no como transitivo direto. O objeto indireto não aparece claro, mas sim, implícito no sujeito.
"Fulano, eu emprestei sua mala."
O sentido do enunciado é o seguinte: quem fala está conversando com uma terceira pessoa (Fulano), esta pessoa comunica que tomou emprestada sua mala (de Fulano). Dizendo "emprestei", no pronome sujeito estava já declarado, implicitamente, que emprestara a mala a si próprio. Tem-se aqui um caso de fusão de dois termos sintáticos distintos, em um apenas. Ou, em outras palavras, a ativa "emprestei" tem valor de reflexiva: "emprestei" equivale a "me tomei emprestado".
Por Thiago Foresti, redação site TVCA Um dos aspectos mais importantes e pouco representados da cultura cuiabana é a linguagem. Não existem novelas, filmes ou programas nacionais que exibam o modo de falar daquele cuiabano comumente chamado de “tchapa e cruz”, de falar manso, doce e tranquilo. A professora Lúcia Helena Possari, do Instituto de Linguagens da UFMT, natural de Ribeirão Preto, se encantou pelo sotaque assim que chegou ao nosso estado e resolveu estudar o tema. O resultado foi um livro chamado“Vozes Cuiabanas” no qual discute vários aspectos desse linguajar, inclusive o que o próprio cuiabano acha da própria língua. “Não diria que o cuiabano tem orgulho nem vergonha. Depende do grau de afetividade com que cada um se relaciona com esse falar. O que a gente sabe é que a linguagem está sendo friccionada o tempo todo. A língua é dinâmica, é porosa, ela vai adquirindo, vai modificando”, explica a professora. Ela também lembra do caso do comediante Lio Arruda, que fez muito sucesso aqui na década de 90. Arruda fazia parte de um projeto “Muchirum Cuiabano” (Mutirão Cuiabano) que era uma proposta de resgate da língua proposto por alguns intelectuais. “Em todas as peças ele usava traços linguísticos em tom de humor. No jornal fazia uma transposição da oralidade exatamente de como era falado para a escrita. Ele transcrevia exatamente como ela falava no impresso. Sua proposta era manter e preservar o que não era possível” Sim, pois para a professora é impossível preservar uma língua, principalmente porque ela é dinâmica e muda a todo momento. “As pessoas mais apocalípticas pensam na extinção, no extermínio disso ou daquilo. As coisas se transformam isso sim, mas muitos traços vão permanecer por muitos séculos, tenho certeza”. Ela diz que a mídia é uma grande influência na media em que as principais emissoras tentam pasteurizar a língua portuguesa em todo território nacional: “há a tendência de que a emissora, que como o próprio nome diz funciona como pólo emissor, tenda a uniformizar a língua no Brasil inteiro. É claro que ela consegue, até certo ponto, fazer interferências, mas não vai conseguir uniformizar a língua porque a cultura é muito mais dinâmica”. Quanto a velha pergunta: O cuiabano fala certo ou errado? A professora também tem uma teoria. “O que mais chama atenção são alguns aspectos da fala, como o chê e gê, talvez os mais característicos. Isso é falar cuiabano. No entanto algumas pessoas se assustam com o chamado rotacismo (que é a troca do lá pelo rá), mas é bom lembrar que isso não é falar cuiabano. Em qualquer região do Brasil você vai encontrar essa mudança de fonema, pode ir no Rio de Janeiro e vai ouvir alguém falando Fra-fru, por exemplo”. Nesse sentido, é possível afirmar que o cuiabano não fale melhor nem pior do que em qualquer outra parte do Brasil. Talvez esse mito do “falar errado” seja algo criado por quem não entende muito de linguagem. A professora explica que é uma tendência de quem vem de fora considerar que o que ele traz é melhor do que o que vai encontrar aqui. “Não só pelo modo de falar, mas por tudo o que ele representa, entre aspas, vindo de um estado mais desenvolvido de um estado onde a renda per capita é maior. Ele então se impõe, mas no fundo não consegue, porque não existe imposição de cultura. As coisas se encaixam, um influencia o outro, o outro influencia um”. Essa recusa e distanciamento que o falar cuiabano encontra pode resultar em vergonha. A professora diz que as pessoas com pensamento mais avançado nessa ciência tendem a deixar o purismo da língua portuguesa de lado. Como ela diz: “As coisas são como elas são. Tudo tem jeito, tudo se encaixa, se modifica. Sempre tem um purista de plantão que vai dizer que em Cuiabá se fala errado. Vai dizer que todos os falares deveriam obedecer a norma padrão. Mas isso não é verdade, cada lugar do Brasil tem um falar diferenciado um do outro”. O Falar Cuiabano No Brasil, país de população multifacetada em relação às suas origens, cada região se desenvolveu de acordo com o momento no qual foi ocupado, de acordo com os interesses econômicos vigentes tais como o pau-brasil, o ouro e a cana-de-açúcar. Assim, o falar de cada local foi se moldando neste encontro de povos vindos de fora - portugueses, espanhóis, africanos e holandeses - com a população local - os índios. Cuiabá viveu mais de século isolada dos centros econômicos mais importantes, mantendo-se nesse período em uma economia de subsistência, através de formas artesanais de produção. Este contexto fomentou a formação do falar cuiabano, pois, além de Mato Grosso estar afastado dos grandes centros da economia nacional, esta era uma época na qual não existiam os meios de informação que nivelam a língua. Esta região era periférica e não se influenciava pelo dinamismo urbano que já transformava a linguagem em locais mais abastados economicamente; assim o falar cuiabano se cristalizou através das suas influências mais locais: os índios, os portugueses, os africanos e os espanhóis. Em seu processo histórico, o fato que mais influenciou a formação do que hoje é o falar cuiabano foi o final da Guerra da Tríplice Aliança - a Guerra do Paraguai - quando os prisioneiros paraguaios da Retomada de Corumbá ficaram confinados à margem direita do rio Cuiabá, atual cidade de Várzea Grande. Ao final do conflito, os prisioneiros não retornaram ao seu país de origem e permaneceram pela região ribeirinha, miscigenando-se com a população local. Esta integração acarretou na influência sobre a cultura regional, através de novos costumes, danças - a polca paraguaia e o siriri - e moldou o linguajar cuiabano. Fonética – O som das palavras De acordo com o livro Do falar cuiabano, de Maria Francelina Ibrahim Drummond (DRUMMOND, Maria Francelina Silami Ibrahim. Do falar cuiabano. Cuiabá: Secretária Municipal de Educação e Cultura, 1978), Mato Grosso, classificado dialetologicamente, está compreendido nas áreas pastoril e da mineração. À primeira, chama-se "ciclo do ouro", e a segunda compreende o "ciclo da mineração propriamente dito" e o "ciclo da garimpagem" nas margens dos rios e lagos diamantíferos de Mato Grosso. Sob o ponto de vista da fonética, classifica-se ainda como sendo a zona das africadas tch e dj, do R e L pós-vocálicos com articulação, denominada retoflexa pelo professor Serafim da Silva Neto. Ressaltam-se os seguintes aspectos da fonética: I. VOGAIS a. Tônicas /a/ Desnasalização em final
irmã - irmá
tarumã - tarumá Seguido de nasal, não se nasaliza e se abre
lancha - láncha
pano - páno /e/ Final fechada tônica se abre
bangüe - bangüé Com nasal:
/a/, /e/, /o/
Não-nasalação do /a/, /e/, /o/
conheço - conhéço
fome - fóme b. Átonas 1. Ocorre freqüentemente a aférese do a igarité - garité
amanhacer - manhecer
amoitecer- noitecer
alarido - larido
alambrado - lambrado 2. /e/ Protônico seguido de r passa a i, caindo o r
senhor - sinhô
medir - midi 3. /e/, /o/ Finais se pronunciam /E/ e /O/ e não /i/, /u/
de - dE (dê)
jeito - JeitO
carro - carrO 4. Mantêm-se a vogal média e as extremas /A/, /I/, /U/. II. DITONGOS 1. /io Final se transforma em /iu/
rio - riu
baixio - baixiu
fio - fiu 2. /eu/ Oral aberto em final se fecha
Poxoréu - Poxorêu
chapéu - chapêu 3. /ou/ Final se reduz a /ô/
estou - estô
falou - falô/a/, /e/, /o/ 4. /ãe/ Final desnasaliza-se
mamãe - mamai 5. /ai/ No interior, passa a /ei/
raiva - reiva
Diante do palatal, no interior, reduz-se a /a/ e diante de /k/
paixão - paxão
caixão - caxão 6. /ei/, /ai/, /oi/ Seguidos de sibilante se reduzem
seis - sês
mais - mas
demais - demás
depois - depôs
7. /ei/ Em posição interna, antes de palatal ou R, passa a /ê/
queijo - quejo
luzeiro - luzero
cativeiro - cativero 8. /ão/ Final passa a /on/
coração - coraçon
visão - vison
baratão - baraton III. CONSOANTES Pré-vocálicos mantêm-se;
Pós-vocálicos ensurdecem ou caem 1. /r/ Final cai
principiar - principiá
parar - pará
rebuçar - rebuçá 2. /b/ Passa a /v/
gabo - gavo
pereba - pereva
jabuticaba - jabuticava
piaba - piava 3. /j/ Passa a /dj/
caju - cadju
jóia - djóia
japa - djapa
João - djoão 4. /s/ Inicial passa a /ch/
Sô - chô
Sá - chá 5. /z/ Intervocálico passa a /g/
várzea - várgea
vazio - vagio 6. /l/ Final se vocaliza diante de /e/ e /i/
papel - papéu
sutil - sitiu
ou desaparece
canzil - canzi
depois de /a/, desaparece:
qual? - quá?
saranzal - saranzá
angical - angicá 7. /lh/ Passa a /i/
tralha - traia
mulher - muié
palheiro - paiero
afilhado - afiado
8. /x/, /ch/ Passam a /tch/
peixe - petche
Coxipó - Cotchipó
mexer - metcher
chuva - tchuva
pincha - pintcha
chincha - tchintcha Sobre o /tch/ e /dj/ há grande discussão entre os diversos autores, o Professor Serafim da Silva Neto questiona a relação entre o tch, do Norte de Portugal e o presumido tch regional brasileiro, para ele tal fonema teve a mesma duração do tchê, pois é provável que já tivesse desaparecido no século XV. Segundo Silva Neto, para se dar a exata interpretação histórica do tch e do dj é necessário estabelecer a área geográfica e respectiva base humana, a área se estende pelo interior de Mato Grosso, São Paulo e faixa costeira do Paraná, uma área de colonização paulista; tal falar foi precedido de um longo período de bilingüidade, em que se falava, juntamente da língua portuguesa, a língua dos índios. Silva Neto ainda acrescenta que o fonema tch em tupi foi observado em trabalhos lingüísticos, como o de Saint-Hilaire, que pesquisou a maneira pela qual os brasileiros das áreas citadas emitiam o ch português, e descobriu que era um ch totalmente indígena, não era tch nem ts. Silva Neto conclui: "dada a sua peculiar base humana e área geográfica, o tch se constitui o resultado e a continuação de uma pronúncia de aloglotas". (Serafim da Silva Neto, "Língua, Cultura e Civilização", IN Do falar cuiabano). Outros Aspectos Fonéticos 1. No gerúndio, desaparece o 'd' da terminação falando - falano
dormindo - dormino
esquentando - enquentano 2. Troca-se o /o/ pelo /u/ em vocábulos como: foge - fuge
e /ou/ em /u/: ouve - uve 3. /bl/ passa a /br/ blefe - brefe
neblina - nebrina
bloco - broco 4. /pl/ passa a /pr/ plano - prano
planície - pranice 5. Assim O vocábulo assim se altera em ansi:
nasaliza-se o /a/ inicial,
desnasaliza-se o /i/ final. 6. Freqüentemente se deslocam sílabas tônicas de paroxítonas terminadas em /ão/ e de proparoxítonas. bênção - benção
espírita - espirita
hidráulica - hidrole 7. Grupo /pr/ seguido de /o/ passa a /por/. proíbe - poribe 8. /oi/ passa a /ori/ depoimento - deporimento 9. A preposição para pasa a pra e/ou se aglutina com os artigos e o pronome você sincopado (ocê). pra
pras
procê 10. 'Por' passa a pro. "Dei ocê pro morto". Morfologia e sintaxe do falar cuiabano O falar cuiabano é encontrado mesmo entre os que têm maior contato com a vida urbana, os mais jovens que ouvem rádio, vêem televisão, lêem jornal, enfim, que participam de atividades de lazer e profissional com outros grupos sociais. Percebe-se então na população mais nova características da fala dos mais idosos, sem que haja um conflito de comunicação entra ambas as gerações. É evidente, no entanto, que haja diferenças de vocabulário, com o acréscimos de termos pelos mais jovens, de acordo com o contexto vivido por eles. Eis alguns pontos de destaque: I. SUBSTANTIVO O que se pôde observar de mais freqüente quanto ao substantivo foi o seguinte: 1. Costuma haver mudança de gênero, marcada no pronome e/ou artigo seguinte ao nome. "Mora num casa desses." 2. Quanto à flexão de grau, notam-se casos em que o aumentativo é construído usando-se o sufixo aina. Comezaina, chapelaina.
Ou ainda com o sufixo ada.
Galinhada, pexaiada. 3. Quanto ao diminutivo, encontramos, com freqüência, a formação com o sufixo ote. Capãozote, gurizote.
Ou ainda:
Machucadorinho, dorinha (dorzinha). 4. A entonação da voz também diz muito. Alonga-se ou se diminui a intensidade da sílaba tônica do vocábulo, conferindo-lhe valor aumentativo ou diminutivo, respectivamente. "Moro loonge daqui!"
"Tem um guri piquinininho." II. ADJETIVO Normalmente, a adjetivação é contida; a linguagem é sobretudo referencial e centra-se no substantivo. Quanto ao uso do adjetivo, observa-se o seguinte. 1. Não se forma o feminino dos adjetivos, os quais se usam indistintamente no gênero masculino, aplicados a seres femininos e masculinos. "Ah, dona! Hoje tô demais de fraco. Nem num sei o que me deu." (mulher falando).
"Fiquei apurado pensando na vasilha que num vinha mais." (mulher falando).
"Acho a vida bom justamente porque tô acompanhando o ritmo dos mais novos."
"A porta tá aberto."
"A rapadura tá fino. Ficou demais de bom."
"Peixe era fartura. Tinha rês, galinhada farto." 2. O superlativo é formado usando-se a expressão demais de, antes do adjetivo. "Tá demais de bom."
"Ô quá! Tá demais de quente!" 2.a. Também se encontram construções freqüentes como no exemplo abaixo em que o superlativo se forma com outro adjetivo, reforçando o sentido (superlativo). "Põe chico-magro pra ferver com o caldo e ele fica alvo de branco." 2.b. Ou ainda utilizando-se a expressão de uma vez. "Toma este chá e fica bom de uma vez." (ótimo).
"Ficou doido de uma vez." (doidíssimo). III. PRONOMES PESSOAIS DE TERCEIRA PESSOA Empregam-se estes pronomes indistintamente no gênero masculino, aplicados a seres femininos e/ou masculinos ou que correspondem ao pronome feminino.
"Ele vai agorinha." (O falante se referia a uma menina).
"As criançada tá sem domínio. Ninguém num pode com ele."
"Ele chama Isabel." IV. PRONOMES DEMONSTRATIVOS Observa-se a mesma ocorrência citada acima. Prevalece sempre o gênero masculino.
"Esse é bravo." (Referência a mulher).
"Mas a vida é esse mesmo." V. PRONOMES POSSESSIVOS Não se observa a ocorrência citada, mas constata-se construções comuns, como as que se seguem em casos do possessivo ser posposto ao substantivo. Em caso de anteposição, não se registra.
"Era uma prima meu."
"Este é filho de irmá meu."
"A casa era meu e das irmandade toda." VI. PRONOMES INDEFINIDOS São comuns três expressões que substituem os pronomes indefinidos muito, muita, muitos e muitas: que só, que tava, que era. "Tinha mato que só."
"Festa bonita. Festa que tava."
"Bicho que era! Nunca vi tanto!" VII. PRONOMES DE TRATAMENTO Entre os falantes mais idosos, não se flexiona a forma senhor no feminino.
"Sinhô tá bom?" (cumprimento a uma mulher).
"Sinhô?" (interrogando uma mulher). VIII. VERBOS SER E IR No pretérito perfeito do indicativo, a primeira pessoa do singular é sempre empregada como terceira.
"Eu foi pescador a vida inteira." (ser).
"Eu foi pro hospital primeira vez." (ir). IX. VERBO PÔR O mesmo ocorre com o verbo pôr no pretérito perfeito do indicativo.
"Eu pôs os cestos de lado e fui ver." X. VERBO ESTAR No pretérito perfeito do indicativo, a primeira pessoa do singular é empregada como terceira.
"Eu esteve." XI. NEGATIVAS Comum é o emprego de duas negativas numa mesma oração, relacionadas ao mesmo verbo.
"Eu nem num sei quanto que é."
"Ninguém num viu a cara dele, só o lombo grande." XII. EXPRESSÃO EQUIVALENTE A DEMAIS É de uso generalizado a substituição do advérbio demais pela expressão esse mundo, equivalente a intensidade.
"Lá é longe esse mundo!" (Lá é longe demais!).
Convém ressaltar, frisando mais uma vez, que a intensidade é reforçada pela tonalidade da voz do emissor ao se exprimir nestes termos. Existe um alongamento exagerado de entonação da palavra modificada pela expressão esse mundo. É pronunciada demoradamente, e, por si só, já indicaria distância imensa. XIII. VERBO VIR No imperativo afirmativo, prevalecem, na totalidade dos casos, as terceiras pessoas do singular e do plural. O mesmo não se observa em outros verbos de uso mais freqüente.
"Venham, crianças!"
"Venha, guri; larga disso!" XIV. MUDANÇA DE CLASSES DE PALAVRAS 1. O pronome indefinido tudo passa a substantivo "Já fiz de um tudo". 2. Artigo indefinido passa a substantivo "Só tenho um filho. Só este um."
Este exemplo poderia representar um caso de zeugma. Existem casos em que o falante se refere ao ser e, sem mencionar o nome, constói orações da seguinte forma: "Este um é meu." 3. Adjetivo passa a advérbio. Caso específico de duro, cujo emprego é generalizado, fato comprovado em outras áreas da cidade, entre falantes de diversos níveis socioculturais. "Bate duro!"
"Desceu o rio, piloteando duro." 4. Advérbio demais Este advérbio se transforma comumente em adjetivo, seguido de preposição de.
"Aí vinha demais de povo."
"Era demais de peixe que dava. Jogava fora ou dava pros outros ou fazia azeite." XV. ALGUMAS REGÊNCIAS NOMINAIS E VERBAIS Alteram-se as regências de muitos verbos e nomes no falar cotidiano. Talvez isto aconteça visando a se dar maior ênfase ao enunciado - outro item aberto a investigações. Vejam-se algumas ocorrências. 1. Chegar Emprega-se com a preposição de em vez de a, nas locuções verbais.
"Ele chegou de fazer assim." 2. Pelejar Muito usado como transitivo direto, significando trabalhar, lutar no dia-a-dia.
"A gente continua aí, pelejando a vida." 3. Lutar a. Na acepção de trabalhar com, lidar com, é empregado com a preposição contra.
"Eu luto contra o gado."
"Nós tudo sempre lutou contra lavoura." b. Também é usado, na acepção indicada acima, com a preposição com.
"Minha vida foi lutar com peixe, comprar e vender peixe." 4. Perguntar Na acepção de informar-se, é tomado como transitivo indireto, regido de preposição de.
"Perguntei de sua casa pra ele. Num sabia." 5. Telefonar Encontra-se telefonar no lugar de telefonar pra, com o mesmo significado deste último.
"Fui em Várzea Grande, telefonar em casa do doutor." 6. Fornecer É comumente empregado com a preposição de, regendo o termo que seria objeto direto.
"Naquela época, a gente fornecia ele de leite." (Em vez de: Naquela época, a gente lhe (= ele) fornecia leite (= de leite). 7. Emprestar Construções em que se utiliza este verbo, apresentam-no como transitivo direto. O objeto indireto não aparece claro, mas sim, implícito no sujeito.
"Fulano, eu emprestei sua mala."
O sentido do enunciado é o seguinte: quem fala está conversando com uma terceira pessoa (Fulano), esta pessoa comunica que tomou emprestada sua mala (de Fulano). Dizendo "emprestei", no pronome sujeito estava já declarado, implicitamente, que emprestara a mala a si próprio. Tem-se aqui um caso de fusão de dois termos sintáticos distintos, em um apenas. Ou, em outras palavras, a ativa "emprestei" tem valor de reflexiva: "emprestei" equivale a "me tomei emprestado".
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